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Apresentação


Bem vinda(o) ao blog "Antropologia da Fantasia"...um espaço dedicado à publicação de textos sobre variados temas.

Somos como um quadro em que o pintor se afasta das regras estabelecidas, para seguir a sua imaginação.


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sexta-feira, 7 de setembro de 2007



A PRAIA estava quase deserta. Para além de nós havia mais um casal a uns 100 metros – distância ideal que todos gostávamos de manter no pico do Verão. O vento afastava-nos do banho, ainda assim, o calor junto às dunas deixava no ar uma estranha inquietação. A amiga que me acompanhou nestes dias de paraíso domou a guisa e foi ao banho. Do casal ao longe pouco se via: estavam protegidos pelo guarda-sol e não se mexiam.

Quando a minha amiga voltou da água, estendemos de novo as toalhas e ela tirou a parte de cima do biquini. Eu mantive o meu. Estavam, portanto, duas raparigas e quatro mamas postas em sossego quando, de repente, vimos um homem a aproximar-se. Nada de novo, já que os veraneantes (apesar de ainda ser Primavera) percorrem grandes distâncias entre esta praia e as praias vizinhas. Aqui só se chega de barco, o que nos poupa do garrafão e do ´camping gaz`, mas não nos salva de tudo.

O homem tinha uns calções vermelhos e uns óculos de sol antigos. Parecia um militar na reforma. A princípio, pensámos tratar-se de mais um curioso atento às conchinhas da praia, embora houvesse ali qualquer coisa que não ligava bem. Aqueles óculos grandes e os calções vermelhos não combinavam com as conchinhas. Talvez fosse um ser dotado de uma sensibilidade especial que queria surpreender a mãe com a riqueza marítima. A minha amiga continuou de busto em evidência enquanto eu, outrora mais desinibida, me escondia nuns triângulos de lycra.

O homem começou a subir em direcção a nós. Não tinha toalha nem baldinho. Pôs-se a uns 20 ou 30 metros, tirou os calções e deitou-se nu na areia. Dali para a frente começou a olhar-nos minuto a minuto. Talvez menos. De quando em vez, levantava-se e ficava de pila ao vento, ora fitando o mar, ora fitando as duas amigas ali tão pertinho.

O meu sangue começou a ferver mais do que a temperatura pedia. Levantei-me e fui buscar um pau. Não me lembro de alguma vez ter feito isto. Na minha cabeça, via-me a dar-lhe uma sova que o marcasse para sempre. A minha amiga repetia: “Vou lá mandá-lo embora.” E eu proibia-a. O pobre tarado das conchinhas tinha tanto direito a estar ali como nós. Mas lá que merecia um susto…

O casal que estava mais adiante não se deve ter apercebido de nada. Passado algum tempo, foram-se embora. Eu continuava nervosa com o pau junto à toalha e uma sova na mente. Levantámo-nos e fomos ocupar o lugar que o casal deixara vago. O homem também se levantou e ficou estático, nu. Muitas perguntas me passaram pela cabeça: que tipo de pessoa faz isto? O que queria? Acharia ele que por uma de nós estar de peito à mostra o estaríamos a chamar? Seria um vulgar chefe de família que nas horas vagas ia libertar a sua tensão sexual? Ou o clássico solitário que encontrava a salvação numa pívea nas dunas? Tive pena de não o espancar. Das marcas não se livraria.

Já o nojo tomava conta de mim quando mais alguns banhistas chegaram. Entre eles uma amiga de longa data, conhecedora da região, também ela a passar férias. Sem que se tivesse apercebido da presença invulgar daquele ser, ela, na sua quase centena de quilos, foi-se pôr exactamente onde nós antes tínhamos estado. Tapadas por ela, o tarado deixou de nos ver. O susto não foi preciso. O baldinho de água fria já tinha sido atirado.

Foi-se embora de pila entre as pernas e eu guardei o pau. No dia seguinte apareceu de novo, com os mesmos calções vermelhos, escondido nos óculos escuros. Desta vez nem se aproximou. Quem seriam as próximas vítimas?

“Oh God, make me good, but not yet!”